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20 de fevereiro de 2006
Desmond Tutu diz que Deus ama Bush e Bin Laden
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"Deus não tem inimigos", disse hoje o bispo sul-africano Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz e uma das mais conhecidas figuras do ecumenismo. Ele disse a seguir que, no abraço amoroso de Deus, cabem brancos e negros, bonitos e feios, homens e mulheres, gays e lésbicas, Bush, Saddam Hussein e Bin Laden.
O bispo anglicano, sobrevivente do Apartheid na África do Sul, lembrou que os cristãos têm mania de se apropriar de Deus e excomungar outras pessoas. Mas, disse ele: "Ninguém tem o direito de direcionar o amor de Deus".
O bispo Desmond Tutu foi recebido de pé e aplaudido demoradamente pelos participantes da 9a Conferência do Conselho Mundial de Igrejas - CMI . Ele creditou a vitória na luta contra o Apartheid na África do Sul à comunidade ecumênica internacional em geral e ao CMI em particular. "Sou muito grato ao Conselho e a ele devo também o meu crescimento e o meu preparo", ele disse.
Só a união das igrejas vai poder transformar o mundo, de acordo com o bispo Desmond Tutu. Para ele, a Igreja unida não é apenas necessária, mas indispensável para resolver os problemas mundiais atuais.
A Plenária sobre Unidade da Igreja, na qual falou o bispo sul-africano, teve também a participação do bispo Samuel Azariah, como moderador, do rev. Jacob Kurien, da Igreja Síria da India, de Isabel Phiri, da Igreja Presbiteriana Unida da África do Sul e do padre Jorge Scampini, da Igreja Católico-romana da Argentina, todos oradores.
> Uma entrevista muito bem-humorada
O bispo Desmond Tutu levou o público às gargalhadas na Coletiva de Imprensa realizada logo após a Plenária. Quando uma jornalista holandesa perguntou sua opinião sobre o documento AGAPE a respeito da globalização econômica, ele quase gritou: "Estou aposentado" e escondia o rosto com a mãos, parecendo uma criança ao ser em flagrada em erro. É que o bispo, que somente chegou a Porto Alegre na noite de domingo, não tivera tempo de ler o documento do CMI. O auditório estremeceu com tantos risos.
Desmond Tutu intercalava brincadeiras com momentos seríssimos, como quando explicou porque destacara homossexuais e lésbicas, assim como Bush e Bin Laden, para falar da pluralidade do amor de Deus, ao invés de assassinos, ladrões e outros.
Explicou o bispo que citara os homossexuais por causa da controvérsia e porque, como os negros, eles são discriminados sem ter culpa pela cor ou pela inclinação sexual: "Eles não fizeram nada: são o que são independentemente de suas vontades", explicou. Quanto a Bush e Bin Laden, eles são os extremos, disse.
O bispo pediu que sejamos gentis no julgamento dos que tentam administrar os problemas africanos "porque é muito, muito difícil" lidar com eles. Sua voz ficou embargada e ele confessou que chora quando fala na situação do Zimbabwe. Lembrou que não é incomum encontrar cristãos que fazem e defendem o mal: cristãos que justificam o racismo e as guerras. Até a organização que assassina negros nos Estados Unidos, a Ku-Klux-Klan, exibe uma cruz nas suas vestes, lembrou o Prêmio Nobel da Paz.
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O Conselho Mundial de Igrejas promove a unidade cristã na fé, no testemunho e no serviço em prol de um mundo justo e pacífico. Uma comunidade de igrejas fundada em 1948, o CMI reúne hoje 349 igrejas protestantes, ortodoxas, anglicanas, entre outras, que representam mais de 560 milhões de cristãos, e trabalha em cooperação com a Igreja Católica Romana. O seu secretário geral é o pastor Dr. Olav Fykse Tveit, da Igreja (Luterana) da Noruega. Sede: Genebra, Suiça.